Perturbações do olfato
O olfato proporciona a aquisição de informação sobre o meio ambiente, funcionando como um sistema de alerta, tornando-nos atentos em relação a perigos, como uma fuga de gás, um incêndio ou comida estragada. Além do mais, ajuda-nos a disfrutar da vida, quando, por exemplo, sentimos os aromas da nossa refeição preferida. Associado de forma estreita ao sentido do olfato existe o sentido do gosto; tal sucede porque, na maioria das circunstâncias em que nos referimos a perturbações do paladar, elas correspondem na realidade a alterações no olfato.
A disfunção do olfato (DO) é uma condição frequente, atingindo, de forma parcial ou total, cerca de 20% da população em geral (¹). Além da já abordada importância do olfato como sentido de alerta, pode surgir, nas pessoas que sofrem deste problema, uma alteração dos hábitos alimentares.
Pode ocorrer uma redução ou um aumento significativos da ingestão de alimentos, com as consequentes variações significativas de peso. Por outro lado, há uma tendência para aumentar a quantidade de sal colocada na comida, o que aumenta o risco de hipertensão arterial ou de doença renal. Em casos extremos, a alteração do olfato pode conduzir a síndromes depressivos.
Existem três causas principais de perturbações do olfato: doenças nasossinusais, DO secundária a uma infeção vírica e DO secundária a traumatismo crânio-encefálico. Entre as doenças nasossinusais que mais frequentemente conduzem a alterações do olfato contam-se, por exemplo, a rinossinusite crónica com ou sem pólipos nasais ou a rinite alérgica. Refira-se ainda, que estudos recentes têm vindo a relacionar as perturbações do olfato com doenças degenerativas do sistema nervoso, como a doença de Alzheimer ou a doença de Parkinson, estando descritos diversos casos em que o primeiro sintoma de tais patologias é a referida perturbação.
Para o correto diagnóstico deve ser realizado um completo exame físico da área Otorrinolaringologia, recorrendo nomeadamente à utilização de técnicas de endoscopia, podendo ou não ser complementado com exames de imagem como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética. Para uma correta caracterização da perda de olfato é fundamental a realização de um exame denominado olfatometria, no qual os doentes são testados em relação à sua capacidade de deteção e reconhecimento de diferentes odores.
O tratamento nem sempre é fácil ou completamente eficaz. No entanto, em doenças como rinossinusite crónica, o tratamento farmacológico ou a cirurgia nos casos que não respondem ao tratamento farmacológico, são opções muito eficazes. O treino olfativo é também, uma opção terapêutica que poderá ser utilizada em casos selecionados, como a DO secundária a traumatismo crânio-encefálico. Este consiste na exposição repetida a diferentes aromas, de forma a estimular a regeneração das células responsáveis pelo olfato.
Estar atento à sintomatologia descrita, poderá permitir um diagnóstico precoce de diversas patologias com impacto significativo no prognóstico das mesmas. Para um melhor acompanhamento e tratamento, marque a sua consulta e tire as suas dúvidas com os nossos especialistas.
Fonte: (¹) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/23135536/
Redigido por Dr. Tiago Soares Santos (OM50343), Otorrinolaringologista no Trofa Saúde Hospital em Alfena


