Como funciona a Anca?
A anca é uma articulação que atua como um rolamento de esferas, permitindo rodar em direcções diferentes e ao mesmo tempo apoiar o corpo. A extremidade superior do osso da coxa (fémur) é uma esfera, que se encaixa numa tomada - Cartilagem (uma camada de tecido macio suave) que cobre a bola e linhas do soquete, e permite que a bola mover-se facilmente na tomada.
Dicas para articulações saudáveis
Coxoartrose/artrose da anca
Coxartrose é a nomenclatura que se atribui à artrose da anca (articulação coxofemoral). Esta articulação é formada pela cabeça do fémur, que roda no acetábulo, sendo este último composto pelos ossos da bacia. Ambos, cabeça do fémur e acetábulo são cobertos por uma camada de cartilagem com aproximadamente 3mm de espessura.
Existe, muitas vezes, confusão entre dois termos muito semelhantes, mas que transmitem patologias distintas: artrite reumatóide e artrose. Assim, artrite reumatóide tende a afectar simetricamente pequenas articulações, essencialmente em mulheres jovens. Já a artrose, afecta grandes articulações de carga (joelho e anca), embora o tornozelo também possa ser afectado. A sua incidência é maior em idosos.
A coxartrose é uma das patologias mais frequentes e incapacitantes do sistema esquelético. É mais vulgar nos ocidentais e quase inexistente entre os asiáticos. A razão para esta diferença está nos hábitos posturais de cada povo. Esta temática tem sido vindo a ser estudada desde 1973, ano em que um grupo de investigadores percebe que o hábito ancestral de se sentarem directamente no chão (as nádegas junto aos calcanhares, utilizando a flexão máxima possível das ancas e joelhos), faz com que os asiáticos não apresentem artroses quer da anca, quer do joelho.
Sintomas
1 – Dor
Inicialmente é uma dor esbatida, de baixa intensidade, mas que se agrava com o progresso da artrose. Sente-se na virilha e irradia pela coxa, sendo que muitas vezes se fixa no joelho. É uma dor que tem o seu grau máximo quando se inicia a marcha (ao levantar de uma cadeira, por exemplo), embora possa aparecer durante o repouso, o que muitas vezes perturba o sono.
2 – Perda de Mobilidade da Anca
Esta perda de mobilidade está relacionada com a formação de osteófitos (pequenas formações ósseas) nas superfícies articulares, o que leva à alteração da sua forma e relação.
A perda de qualidade de vida é uma realidade, já que movimentos como calçar uma meia (implica flexão da anca), um sapato ou mesmo cortar as unhas ficam limitados e muitas vezes deixam mesmo de poder ser executados.
O acto sexual é também afectado, pois esta perda de mobilidade não deixa que o indivíduo execute a abdução (afastamento) dos membros inferiores.
À medida que a doença vai progredindo, a deformidade (associada à imobilidade) é irredutível e acontece em flexão, adução e rotação externa:
a) Flexão: a dificuldade na flexão leva a que o indivíduo, muitas vezes, desenvolva patologias de coluna;
b) Adução: o individuo perda capacidade de abdução (movimento contrário ao movimento de adução), o que leva a que o membro sofra um encurtamento,
c) Rotação Externa: as duas alterações anteriores levam a que o indivíduo, no sentido de compensar essencialmente a dificuldade na abdução, caminhe mantendo o pé “virado para fora”.
3 – Marcha Claudicante
Vulgo “mancar” e advém da perda de mobilidade da anca, associada a uma posição anti-álgica, ou seja, que diminua a dor.
O diagnóstico faz-se através da associação entre o exame clínico e as imagens radiográficas.
O exame clínico debruça-se sobre a análise do historial do doente, colocação de questões a respeito da presença de sintomas e a execução de alguns movimentos específicos para determinar quais as suas reais limitações.
Radiologicamente, o médico vai procurar a presença de osteófitos, entre outras possíveis alterações articulares.